Economistas argumentam que empréstimos possuem papel decisivo para fazer a economia de qualquer país crescer

Economistas. De acordo com dados do Banco Mundial, no fim de 2020, o saldo de crédito para o setor privado no Brasil equivalia a 70% do Produto Interno Bruto (PIB), incluindo o crédito bancário e as operações realizadas por meio do mercado de capitais. Esse número coloca o nosso mercado de crédito num patamar intermediário, em linha com os países emergentes, mas muito distante dos países desenvolvidos.  Na média dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o clube dos países ricos em que o Brasil tenta entrar, o crédito concedido ao setor privado correspondia em média a 160% do PIB, nesse mesmo período. Temos, portanto, um longo caminho a percorrer; e hoje há um consenso em nossa sociedade de que é fundamental ampliar de forma significativa o volume das operações de crédito, bem como reduzir o seus custos para famílias e empresas, se quisermos voltar a crescer de forma sustentada. 

Este consenso, de que a ampliação e o barateamento do crédito são vitais para a prosperidade econômica, pode ser constatado no fato de que promessas com esses objetivos constarem nos programas de governo dos principais candidatos presidenciais. Mas, no Brasil, a divergência e os conflitos logo aparecem quando os credores precisam recuperar dinheiro dado a devedores inadimplentes. Aí, a recuperação de crédito frequentemente se complica em disputas excessivamente lentas na Justiça. Isso ocorre mesmo quando bens são dados em garantia aos credores, observando-se, na compreensão destes, todos os procedimentos legais e regulatórios.

O acúmulo de julgamentos favoráveis a devedores inadimplentes virou um dos principais motivos para que o crédito seja tão caro no Brasil. Com a promessa de aprimorar as regras de garantias em operações de crédito, foi recentemente aprovado na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 4188/2021 — o texto aguarda votação no Senado.